Meu Amigo Fela (2019)


É TUDO VERDADE - Fela Kuti, nigeriano multi-instrumentista e um dos criadores do gênero afrobeat. Só ai já daria um bom documentário, mas o diretor Joel Zito Araújo e sua equipe foram fundo na história do nigeriano e buscaram sua história na raiz. Tudo começou quando Carlos Moore entrou em contato com Joel Zito, depois de amizade formada, surgiu Meu Amigo Fela, uma produção que explora toda a complexidade de Fela, desde quando mal sabia sobre sua própria cultura, até sua morte por decorrência da aids.

Fela Kuti não foi só um ídolo da música pop nos anos 1960/1970. Quando levou sua banda em turnê nos EUA, conheceu Sandra Smith, ativista e partidária dos Panteras Negras. Sua influência sobre Fela foi tamanha que mudou totalmente sua visão política e, consequentemente, as letras de suas músicas. A partir daí, Kuti virou um ativista político, sendo um dos poucos nigerianos que tinham a coragem de se levantar contra o governo de seu país, que logo passou por um período militarista. Mas isso o tornou um personagem excêntrico. Possuía 27 mulheres que, segundo Carlos, eram totalmente submissas. Já perto do fim, em sua casa ele era uma pessoa completamente diferente do que mostra nos palcos e palanques por onde passava. Essa excentricidade é lembrada por Carlos Moore, Sandra Smith e muitos outros personagens que fizeram parte de sua vida.

Mas na vida de Fela tudo tinha um motivo forte. Se a necessidade fez com que ele usasse o que aprendeu com Sandra Smith para conscientizar o mundo sobre o que vinha acontecendo na Nigéria, sua atividade política lhe trouxe muitos problemas. Mas esse ativismos veio de berço, sua mãe sempre lutou pelo direito das mulheres e do povo, quando poucas pessoas tinham coragem para isso no mundo, menos ainda na Nigéria. Mas suas criticas ao governo militar fez com que se tornasse um alvo e isso o levou a loucura. 

Joel Zito fez um trabalho surpreendente ao lado de Carlos Moore. Abordando política através de suas músicas, Fela Kuti nunca foi mais presente no cenário brasileiro, onde os governantes buscam acabar com todo o pouco incentivo cultural do país. Mais uma vez vemos a importância e necessidade da produção de documentários, histórias como a de Fela não podem ser esquecidas, por isso a importância de festivais como o É Tudo Verdade. E falando em Brasil, a homenagem que Joel Zito fez a Marielle Franco arrancou aplausos do publico presente cinema.

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