Western (2017)


Existem muitos filmes bons sendo feitos em lugares mais distantes. Filmes que infelizmente não chegam aos cinemas comerciais e, infelizmente, pouco são exibidos no circuito alternativo. Um desses filmes é Western, da diretora Valeska Grisebach. O longa explora a complexidade do relacionamento humano diante de choques de cultura, costumes e idioma.

Um grupo de trabalhadores alemães chegam a Bulgária para construir uma hidrelétrica. Nesse projeto eles encontram três problemas. O primeiro é o cascalho necessário para o concreto que nao fora entregue. Também existe um conflito com moradores de uma vila que fica entre eles e a fronteira com a Grécia e, por fim, o racionamento de água, já que o poço mais próximos é usado por três vilas.

Com o trabalho parado devido a falta de água e cascalho, Meinhard (Meinhard Neumann) vai até a vila para passar o tempo e explorar esse lugar desconhecido. Seu jeito pacato e de poucas palavras vai conquistando a confiança dos moradores e logo se torna amigo de boas parte deles.

Ao contrário dele, Vicent (Reinhardt Wetrek), responsável pela obra da hidrelétrica, só quer terminar logo seu trabalho e voltar para a Alemanha. Seu jeito grosseiro acaba causando conflito com os moradores, logo antes de os conhecerem. Além de implicar com algumas mulheres da vila, uma de suas "empreitadas" é roubar a água das outras vilas para que seu trabalho seja finalizado rapidamente.

Outro personagem importante é Adrian (Syuleyman Alilov Letifov), um búlgaro que, através de uma nova amizade, transforma Meinhard em seu segurança pessoal. Ele faz a intermediação entre os trabalhadores e os moradores da vila, sempre procurando ajudar Meinhard, do qual vira um grande amigo.

Além desses desentendimento entre o alemães e os moradores locais, a história permeia na solidão irremediável vivida pelos personagens. Meinhard consegue reverter essa situação por um tempo, consegue um cavalo com o qual desenvolve uma grande afinidade. É chamado de "legionário", por causa de sua façanhas na guerra que não fica claro se existiu ou não, por moradores, o que garante certa intimidade. Mas quando tudo começa a desmoronar, ele deixa tudo de lado e embala nos ritmos bulgaros.

O diálogo ineficiente causado pela diferença do idioma e compensado com gestos e a vontade de ter alguém com quem conversar, contar histórias. O filme de Grisebach segue, de maneira positiva, aos trancos e barrancos, assim os personagens vão se entendendo e a história vai se desenrolando, como um ensaio da vontade humana.

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