Roma (2018)


Ver um filme no cinema é uma experiência totalmente diferente. Queria ter assistido Roma na tela grande, mas por falta de tempo ou sessões isso não foi possível. Confesso que assistir na TV de casa, embora mais confortável, foi tum pouco decepcionante. Outro problema foi a demora para assistir. Roma é um filme gigante, afinal, é uma produção de Alfonso Cuarón, mas criei expectativas que dificilmente seria atingida. Mas como eu disse, é uma questão de experiência. Mea culpa.

Quanto ao filme, a história narra, sem muitas pretensões, a vida de Cleo (a estreante Yalitza Aparício), empregada doméstica e babá de uma família de classe média alta, no México dos anos 1970. Em sua folga Cleo se junta a Adela (outra empregada da família, interpretada por Nancy Garcia) para ir ao cinema com seus namorados, Fermín e Ramon. Cleo fica desnorteada quando, em um momento mais necessário, descobre que Firmín não quer um compromisso sério. Mas encontra apoio na família para quem trabalha, que apesar de tudo também vive seu momento mais trágico.

O filme é como uma auto biografia de Alfonso Cuarón, mesmo não o trazendo como personagem principal. O diretor aproveita o protagonismo de Yelitza para montar uma trama corriqueira, longe do incomum, mas muito próxima de uma obra de arte. Embora simples e livre de julgamentos, o novo trabalho de Cuarón conta com momentos de tensão. A cena em que Antônio (pai da família) chega com seu poderoso Galaxy e precisa colocá-lo em uma garagem minúscula desperta apreensão, não só do expectador, mas de todos os personagens que param para ver a manobra.

O filme me lembrou duas produções nacionais. Uma delas é o maravilhoso Que Horas Ela Volta (Anna Muylaert, 2015), o caso da empregada doméstica que faz parte da família quando convém, mas é sempre lembrada de qual é sua posição. Outro filme é Como Nossos Pais (Laís Bodanzky, 2017), em relação ao casal, que vêm o seu relacionamento chegando ao fim, mas negam tal situação.

Uma curiosidade interessante é que Cuarón fez quase tudo no filme. A direção é sua, o roteiro (feito ao mesmo tempo em que as cenas eram gravadas), produção, fotografia... Por isso Roma é um filme de detalhes, é preciso de muita atenção para não perder nenhum deles. Talvez isso garanta ao filme o título de obra de arte, claro que merecidamente, pois Alfonso Cuarón, com tanta sutileza, surpreende.

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