O Nó do Diabo (2018)


Estou vendo duas coisas no horizonte cinematográfico. Uma delas é o terror ganhando cada vez mais espaço no cinema nacional, outra, é o cinema nordestino ganhando novo fôlego com suas novas produções. Uma delas é O  Nó do Diabo, filme que reúne cinco contos, tendo como tema a escravidão, dirigidos por Ramon Porto Mota, Jhésus Tribuzi, Ian Abé e Gabriel Martins. O filme é forte e crítica, mesmo através do terror, as raízes escravagistas que persistem no Brasil.

O primeiro conto se passa em 2018, uma fazenda vigiada por um policial frustrado, mandado por um velho escravocrata (interpretado por Fernando Teixeira). O tempo vai regredindo e novos contos ganham a tela, sempre com a escravidão como foco, sempre com o personagem de Fernando Teixeira como o famigerado "sinhozinho".

Esse retrocesso que acontece de conto em conto mostra como o Brasil mudou, se mudou, bem pouco. Hoje a maior parte do que denominamos "elite" descendem desses senhores de engenho, que empregaram seu falso poder naqueles que não podiam questionar. Para mostrar isso, as cenas de O Nó do Diabo são fortes, embora acredite que não chega tão perto do que acontecia na época, acho que isso não seria possível.

Mas voltando ao filme, a união desses quatro diretores resultou em uma excelente obra, um filme muito bem produzido. A história chama atenção para um tema que ainda hoje recorre aos meios para se tornar visível. E esse é o papel do bom cinema: entreter, mas também criticar e provocar mudanças.

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