O Batalhão dos Descalços (To Xypolyto Tagma, 1954)


III Mostra de Cinema Grego - Até o dia 11 desse mês acontece na Cinemateca Brasileira a III Mostra de Cinema Grego. Reunindo alguns filmes do século passado e outros mais contemporâneos, serão exibidos 11 títulos, alguns inéditos no nosso circuito, todos com entrada gratuita. No segundo dia da mostra assisti O Batalhão dos Descalços, filme com direção de Gregg C. Tallas, projetado em 35mm.

 O filme conta a história de um grupo de jovens que, durante a invasão alemã na Grécia, roubavam comida e remédio dos militares alemães para ajudar os moradores de Tessalônica. A história é contada por um dos garotos, agora já na idade adulta, ao se deparar com um menino na situação em que ele se encontrava na época em que tudo aconteceu. A resistência empenhada pelos jovens vai além do caráter político, mostrando o valor social, que é retribuído sempre que eles precisam de cobertura dos moradores.

O Batalhão dos Descalços me lembrou Capitães da Areia – o livro, pois o filme de Cicília Amado foi um fiasco. Embora as crianças se encontrem em situações diferentes, encontramos algumas semelhanças, o que me fez indagar a possibilidade de que o diretor Gregg C. Tallas ter bebido um pouco da história de Jorge Amado para ter desenvolvido seu filme. Mas essa dúvida terá de continuar, já que pouco material sobre o filme é encontrado na internet, mas sendo ou não o caso, é uma ótima semelhança. São poucos os filmes dos anos 1950 que assisti, do cinema grego não acho que tenha assistido algum. Mas algo me chamou atenção, o uso dos planos abertos e o modo como as cenas funcionam durante a noite, algum que deveria ser um grande problema na época. A música também é muito boa, precisa, e as atuações completam a grandiosidade da obra.

Pouco conheço sobre o cinema grego, mas gostei do que vi em O Batalhão... e certamente pesquisarei mais sobre o diretor. Um filme rápido, mas que merecia mais tempo. No fim da sessão ainda fica aquela vontade de ouvir mais algumas histórias sobre os garotos que diante de todos os problemas que encontravam para si, ainda pensavam em ajudar o próximo, usando suas únicas armas para desmantelar um sistema repressivo: o roubo. A Mostra de Cinema Grego está com uma programação bem interessante (confira aqui) e espero conseguir assistir ao menos mais dois ou três filmes. 

Comentários

Postagens mais visitadas