Amantes na Fronteira (2018)


MOSTRA SP - Em uma mistura luso - japonesa, o diretor Atsushi Funahashi monta uma história que, além das fronteiras, ultrapassa séculos e brinca com o destino de seus personagens. Amantes na Fronteira conta conta duas histórias movidas por sentimentos intensos que vai do amor incondicional ao sentimento aturdido de vingança.

A primeira história se passa no século XVIII. Uma jovem portuguesa é admitida como empregada em um casarão após seus pais serem mortos em um terremoto que destruiu uma parte de Porto. O dono do casarão retorna de sua viagem a Índia e traz consigo dois japoneses, logo a jovem se apaixona por um deles. Já em 2020 os mesmo atores vivem uma história semelhante, adaptada à modernidade. Agora o cenário é um Japão devastado por um tsunami e enfrentando uma crise econômica.

Antes da sessão começar uma das organizadoras leu uma mensagem do diretor, que deveria estar presente, mas por algum motivo que desconheço se encontrava no Japão. Na mensagem ele fala sobre suas intenções ao fazer o filme. Uma questão mais política que romântica, que dada a mensagem, fica fácil de perceber.

O filme conta com três atores que protagonizam as duas histórias. A atuação de Ana Moreira é excelente, ela vai do amor a loucura de forma tão natural que nos atrai. Os outros dois são Yûta Nakano e Tasuku Emoto, que formam seus pares em cada época. Recontar a mesma história, mesmo que com alguns aspectos diferentes, é uma grande risco, as vezes o filme se torna monótono demais. Mas quando as referências aparecem o espectador ganha novo ânimo. Acredito que o desafio é saber quando isso deve acontecer e, nesse caso, Atsushi Funahashi acertou.

A maneira como a época é ambientada também é boa. Fazer um filme de época não consiste apenas no figurino, tem todo o trabalho com os atores e cenário. Já em 2020, Ana Moreira assume um novo visual, que na hora me remete o cinema americano. Outra coisa que gostei foi a exploração do fado, estilo musical português. A letra que se repete diversas vezes conta mais do que vemos sobre o filme.

Não tem como esconder que, algumas vezes, Amantes na Fronteira se torna cansativo. Mas também devo dizer que vale a pena assistí-lo até o final, que surpreende. E talvez é ali, perto do final, que vi uma das melhores referências entre as duas histórias, fazendo os momentos de monotonia terem válido a pena.

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