Uma Viagem à Lua (Un Viaje a La Luna, 2017)


Embora receba o mesmo título, Uma Viagem à Lua não tem mais que algumas homenagens visuais ao curta-metragem de Méliès. O filme de Joaquín Cambre usa a viagem a lua como uma forma de representar o imaginário de um personagem muito peculiar.

Tomás (Angelo Mutti Spinetta) tem 13 anos, um trauma causado quando ainda era pequeno faz com que ele frequente um psicólogo e tome medicação. Se não bastasse, uma viagem em família que parece há muito programada faz com que ele seja sufocado por sua mãe, uma grande atuação de Leticia Brédice. A pressão vem de todos os lados, desde seu amigo de escola, que assim como ele, precisa passar em geografia. Até o surgimento de uma possível primeira namorada. O refúgio de Tomás está na astronomia. Seu desejo é viajar a lua e quando decide parar de tomar sua medicação, começa a construir seu "foguete espacial".

Embora não apresente nada de novo, ou diferente, Uma Viagem à Lua não se trata apenas de um filme adolescente. Com simplicidade Cambre consegue ir um pouco além. Além de Tomás temos toda sua família e vemos como ela lida com os problemas que a adolescência leva a ele. E a forma como o diretor, que ao lado de Laura Farhi também assina o roteiro, explora o imaginário do protagonista é um dos destaques do filme.

Não há muito o que dizer sobre Uma Viagem à Lua. De todos os filmes argentinos que já assiste, acredito que esse é um dos poucos que buscam explorar a experiência humana fora do cenário real e, mesmo sendo mediano,  vale a pena por sua fotografia - as cenas na piscina vazia são belas e contam mais do que os olhos veem - e a forma como Joaquín Cambre explora todos os elementos disponível, fazendo um filme que começa como uma dramática história adolescente e termina em um drama psicológico.

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