O Rosto (El Rostro, 2014)


Embora tenha feito sucesso em festivais na Argentina, onde foi adorado por maior parte da crítica e publico, El Rostro é um filme difícil de se achar. Mesmo sendo dirigido por Gustavo Fontán, o longa não ganhou destaque fora do país, talvez por ser uma produção independente, ou pelo fato de ser um filme tão singular.

Um homem atravessa o rio para o que parece ser um almoço em família. A fogueira e acesa para esquentar a água, o peixe é pescado e enquanto o almoço vai sendo preparado mais personagens, de diversas idades, vão surgindo. A narrativa não nos promete nada de muito empolgante, nenhum plot twist é anunciado, logo, nada incomum acontece.

A escolha de Fontán em usar 8mm e 16mm dá um ar documental ao longa e nos leva de volta aos anos 1930. Dando ritmo a monotonia de um dia comum, a trilha sonora é desconcertante. Hora escutamos as coisas antes mesmo delas acontecerem, hora temos um som que não condiz com o que está passando na tela.

É fácil perceber porque O Rosto foi tão bem aceito pela crítica argentina. Embora seja um filme lento e bem específico, sua monotonia é atraente. Vemos as paisagens através de uma fotografia que parece ser feita por um amador, algo presente no cinema independente de Gustavo Fontán. E quando aceitamos o fato de que o diretor sempre busca trabalhar novos ensaios e experimentações, El Rostro passa a ser uma grande obra.

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