Benzinho (2018)


Histórias comuns estão cada vez mais tomando conta do cinema latino-americano. Só no Brasil tivemos filmes como 'Arábia', 'Como os Nossos Pais' e, um que gosto sempre de lembrar, 'Que Horas Ela Volta'. Tratar de temas que estão presentes no dia-a-dia virou um praxe desse cinema. Mas isso não é uma coisa ruim, Benzinho, de Gustavo Pizzi, é uma prova disso.

O filme mostra um momento na vida de Irene (atuação brilhante de Karine Teles) em que ela sente-se sobrecarregada, um daqueles momentos em que tudo parece dar errado e os problemas não param de chegar. O filho mais velho recebe uma proposta para jogar handball na Alemanha. O marido (Otávio Müller), dono de uma pequena livraria, decide empreender em outro ramo que provavelmente não vai dar certo. A irmã  (Adriana Esteves) vai morar em sua casa depois de apanhar do marido. Além disso tudo, a casa está caindo aos pedaços e sua única fonte de renda está em perigo. E agora, Irene?

Embora todos os personagens tenham seus problemas, não vemos uma vitimização. Os problemas precisam ser resolvidos e é isso que eles fazem, ou tentam. Uma das melhores cenas é quando Irene, no escuro, coloca seu headphone e se liberta ao som de Karina Buhr. Pode ser exagero, mas essa cena me lembrou Dançando no Escuro (2000), vendo que ali existem os sentimentos de perda, solidão e a falta/necessidade de dinheiro para a vida seguir em frente.

Benzinho é só elogios. A direção de Pizzi é formidável. O elenco, com destaque para Karine Teles, é sensacional. A fotografia é muito bonita, a cena em que estão na frente da casa, depois da janela quase ter ido ao chão, mostra um resumo de tudo, como se dissesse "está tudo desmoronando, mas sabemos que vai melhorar". O filme ja recebeu prêmios dentro e fora do Brasil e, ao que tudo indica, virão muitos mais.

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