Arábia (2017)


Esse filme é uma desconstrução. Com roteiro e direção de João Dumans e Affonso Uchôa, Arábia desconstrói seu personagem principal para nos mostrar uma realidade comum, embora triste, muito bonita de se ver.

O filme conta a história de Cristiano (Aristides de Sousa, que ja havia trabalhado com Uchôa em 'A Vizinhança do Tigre'). O primeiro choque com a realidade vem quando vemos que a escolha errada do personagem acontece não por opção, mas por falta dela. Então Cristiano se torna aquele ser comum, substituível. Com a ficha suja, tudo o que ele sabe é que ser preso novamente não é uma opção. Então trabalha e é explorado em diversos lugares do interior de Minas Gerais.

A jornada é narrada por Cristiano por meio de um caderno no qual estava escrevendo sua história. Entre erros e acertos ele segue sua jornada do herói, mostrando o quanto pode ser difícil em um país onde o trabalhador é normalmente explorado, buscar uma vida melhor. Os cenários de uma Minas interiorana são facilmente comparados com as regiões sertanejas do nordeste brasileiro, mostrando que essa busca por algo melhor e a exploração enfrentada pelos trabalhadores não é algo regional, mas sim uma coisa impregnada no país.

É interessante ver o momento em que Cristiano se indaga sobre sua função social, levantando a questão de quem é o trabalhador e seu papel na sociedade. Se um dia, quando não puder mais exercer seu trabalho, vai ser reconhecido ou esquecido.

Dumans e Uchôa vão além de um filme convencional e apresentam uma história bem amarrada, que pode ser encontrada em muitos cantos do Brasil.

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