Invisível (Invisible, 2017)


Fazia um bom tempo que não assistia uma produção argentina e quando isso acontecia era sempre um filme mais convencional, popular. Sentia falta de algo simplista como Medianeras (2011), que trazia a tona um assunto comum sendo tratado como se fizesse parte do nosso dia a dia. Esse sentimento de simplicidade virou uma das características do cinema argentino e é assim que Invisível, do diretor Pablo Giorgelli, é apresentado aos espectadores.

Ely é uma jovem de 17 anos que vive em Buenos Aires com sua mãe. Sua rotina consiste em estudar e trabalhar em um petshop no bairro de La Boca, mas isso muda quando ela descobre que está grávida de Raúl, seu chefe. Agora Aly precisa decidir se vai ter o bebê ou apelar para um esquema clandestino de aborto.

Aborto é um tema que vem sendo muito discutido no mundo inteiro. Giorgelli (que já havia chamado atenção com seu longa de estreia, As Acácias, 2011) aborda o assunto de modo simples. Ely tem seus problemas em lidar com a gravidez, mas mesmo com tanta indecisão dentro de si, ela segue firme e nos faz pensar sobre a necessidade da legalização do aborto. Ely vai contra o que muitos alegam e nos mostra que a legalização não significa que teremos cirurgias desenfreadas, mas sim um suporte melhor para quem necessita. 

Pablo Giorgelli agrada mais uma vez. Trazendo elementos simples a um tema tão polêmico eles nos coloca a pensar no assunto de um modo menos conservador, levando em conta a necessidade e segurança da mulher que, de um modo ou outro, tem seus motivos para optar pelo aborto.

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