Alguma Coisa Assim (2017)


Alguma coisa assim nasceu em 2006. De início era um curta metragem que acompanhava os amigos Caio (André Antunes) e Mari (Caroline Abras) na noite da badalada Augusta (rua do centro de São Paulo) na década passada. Depois as cenas voltam em 2013 e, em seguida, 2016. Sempre pontuando assuntos polêmicos, que envolvem homossexualidade, casamento gay e aborto.

É interessante o que Esmir Filho e Mariana Bastos fazem aqui. Temos dois personagens quebrando tabus. Claro que isso é algo recorrente no cinema, mas a obra em questão não se limitou a ser ambientada, as cenas foram gravadas no momento em que tudo acontecia. Em 2006, Caio, por intermédio de Mari, descobre sua orientação sexual e vive todo o questionamento que isso traz. Em 2013 vem seu casamento, ano em que o casamento de pessoas do mesmo sexo foi formalizado no Brasil. Já em 2016, em Berlim, os dois se reencontram e precisam lidar com uma gravidez não planejada.

Com tudo isso pode até parecer que Caio é total protagonista no longa. Mas ao meu ver, Alguma Coisa Assim vai além de discussões polêmicas e apresenta uma história de amor e amizade. Mari é símbolo da boemia paulista durante a noite. Já na maior parte do dia, precisa lidar com um "monstro" que ela mesma criou dentro de si. Cada reencontro dos dois é forte e deixa nas entrelinhas motivos para que o distanciamento acontecesse. Porém, em uma amizade tão forte, cada encontro é necessário.

Alguma Coisa Assim é leve. Embora aborde temas fortes, nada é discutido muito a fundo, o maior aspecto encontrado no filme é a amizade e seus conflitos e como ela se molda enquanto Caio e Mari amadurecem.

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