Pagliacci (2018)


Esse final de semana fiz uma trinca circense. Comecei por 'Noites de Circo' (1953), no sábado, comemorando os 100 anos de Bergman! E hoje assisti 'O Palhaço' (2011), após adiantar uma entrevista com Selton Mello e Larissa Manoela, que ainda não havia assistido. Por fim conferi no É Tudo Verdade, do Canal Brasil, o doc Pagliacci, que tem como base o espetáculo de mesmo nome da Cia LaMínima, que completou 20 anos.

As três produções trazem em comum a busca do palhaço, e até mesmo de outros artistas circenses, pela renovação, uma nova forma de atrair o público e a satisfação pessoal. A vida intinerante leva os personagens a alguns problemas - a dificuldade de chegar aos lugares e conseguir o que precisam para dar continuidade ao trabalho - e conflitos internos, como a indagação sobre o que está fazendo, se está seguindo o caminho certo ou se o seu papel é só algo imposto a ele.

Em Pagliacci tudo isso fica mais visível, nele recebemos algo mais cru, facil de assimilar. Vemos os bastidores, um verdadeiro "por trás da lona", mostrando como o espetáculo é criado. Como as coisas difíceis, como erguer o picadeiro, viajar de uma cidade a outra e outras adversidades, se tornam pequenas perto do que é feito com amor. Buscando primeiro, em cada ensaio, a cada espetáculo, o próprio riso, para depois passá-lo adiante, como é dito por um dos personagens (que agora não me lembro o nome) "seja o jardineiro da sua arte, não o arquiteto, porque o jardineiro cultiva sua arte". 

O documentário, dirigido por Chico Gomes, Júlio Hey, Pedro Moscalcoff, Luiz Villaça e Luiza Villaça é narrado de forma poética e divertida, correndo entre bastidores, cenas do espetáculo e depoimentos dos artistas, que têm um único objetivo: nos fazem sentir aquelas sensações que nos são privadas no corriqueiro dia a dia.

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