Projeto Flórida (The Florida Project, 2017)


Primeira cena: a câmera posicionada de baixo para cima, a fotografia, a paleta de cores. As crianças se divertem. Em um primeiro momento é isso que Projeto Flórida, do diretor Sean Baker, nos apresenta, sem nos preparar para o que está por vir.

Moonee (Brooklynn Prince) vive com sua mãe, Halley (Bria Vinaite), em um quarto desses motéis de estrada, típicos dos Estados Unidos. Moonee e seus amigos vivem grandes aventuras e parece que tudo vai acabar bem, então quando você está totalmente envolvido com os personagem as coisas começam a mudar, mas já e tarde para fugir e evitar aquele turbilhão de emoções desconcertantes.

O roteiro de Baker e Chris Bergoch tem como foco a visão infantil  de como é viver ali, naquele hotel (Reino Mágico) de beira de estrada. Mas muitas coisas chamam a atenção, começando pelo cenário, uma parte esquecida de Orlando que a fotografia (de Alexis Sabe) e a paleta de cores fazem parecer mais alegre. Também sabemos que, ali do lado, está o famoso Disney World, mas não o vemos, como se mesmo tão perto, estivesse longe das condições daquelas pessoas.

Enquanto Moonee se diverte com seus amigos, executando todo tipo de peraltagem, sua mãe, dotada de pouca responsabilidade, tenta garantir o dinheiro do aluguel. Mesmo sabendo que toda a situação das duas vem dessa irresponsabilidade de Halley (que só vai piorando com o tempo) é bonito ver todo o esforço que ela faz para que sua filha fique bem e tenha toda aquela alegria de uma criança.

Em meio a tudo isso temos Bobby, interpretado por Willem Dafoe, o ator com mais experiência do projeto. Sua atuação lhe rendeu um indicação de Melhor Ator Coadjuvante no Oscar, merecida. Ele é um gerente ranzinza, mas sempre que precisa, dribla todas as suas regras para ajudar os moradores, mostrando que no fundo daquela personalidade existe um bom coração.

Falar sobre Projeto Flórida pode ser uma missão difícil, a história que Sean Baker nos conta aqui é tão intensa que demoramos um pouco para digerir tudo aquilo, ainda mais quando sabemos que todo esse cenário marginalizado está mais perto do real do que gostaríamos.

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